sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Aborto espontâneo

Hoje quero compartilhar com vocês algo que acontece com muitas mamães e muitas tentantes: O Aborto




O Assunto ainda é tabu, pois somos educados para tudo, menos para a morte que é a única certeza que temos na vida.


A interrupção da gravidez é um problema mais comum do que se pode imaginar. Não há dados divulgados sobre o caso, porém especialistas (ginecologistas e obstetras) estimam que o aborto espontâneo atinja cerca de 15% a 20% das gestações até a 22ª semana. G1

Quando o Miguel fez 2 anos, decidimos que estava na hora de parar de tomar a pilula anticoncepcional e tentar mais um bebê.
Logo que parei de tomar a pilula, já engravidamos. 
Assim que descobri marquei a consulta com o médico, mas antes da primeira consulta,  ia receber visita no final de semana, então fiz uma grande faxina em casa.
No dia seguinte comecei a sentir pequenas dores, mas pensei que não era nada importante.
No domingo, mesmo com um pouco de dor fomos na igreja, mas logo não aguentei mais ficar por conta da dor e corremos para o pronto socorro.
Como era domingo, não havia nenhum ginecologista de plantão, então chamaram um. Porém eu fui atendida primeira por um outro medico que me examinou.Ele disse que provavelmente eu estava sofrendo mesmo um aborto, mas só o gine mesmo que iria me avaliar e saber.
A essa altura me deram um remédio para a dor, que estava insuportável e eu estava com sangramento.
No começo da noite o ginecologista chegou, foi completamente insensível, grosseiro, sem a menor ética. (Depois conversando com outras mulheres, descobri que ele é famoso na cidade por sua grosseria). 

Eu só conseguia chorar enquanto ele falava, depois de falar muito grosseiramente, fez a ultrasson e disse que eu havia sofrido um aborto espontâneo e que eu teria que fazer a curetagem.

Hoje sei que havia outras formas para fazer isso, mas naquele momento não fui informada delas.
Fizeram a curetagem, fiquei 3 dias internada, depois alguns dias de repouso e voltei a vida normal.
Voltei ao trabalho, e todas as atividades normais.
Descobri depois, que teria alguns dias a mais para voltar ao meu trabalho, mas não fui informada sobre isso, fui trabalhar mesmo sentindo fraqueza e desconforto (principalmente psicológico).

O luto basicamente é só seu, algumas pessoas próximas fingiram que nada tinha acontecido, outras disseram coisas como "Graças a Deus, Deus sabe o que faz"
Em nenhum momento tive pessoas que dissessem "eu sinto muito por sua perda"

Os avós não perderam um (a) neto (a), os tios (as) não perderam um (a) sobrinho (a), só eu que perdi meu filho e a dor que ficou dentro de mim foi um enorme buraco.

Nenhuma das condolências que recebemos quando perdemos um ente querido existe quando temos um aborto, é como se fosse uma ideia da nossa cabeça que simplesmente não deu certo.


Sinceramente, o que me salvou foi ter engravidado logo em seguida da Melissa (o que os médicos não recomendam, pode trazer risco para a mãe e para o bebê), e o fato dela ser um bebê/ uma criança tão exigente me ajudou a manter a cabeça sempre ocupada.
Mas sempre que vou ao ginecologista, preciso dizer que tive 4 gestações e 3 partos.

Às mulheres que estão passando por isso, saibam que vocês não estão sozinhas, sua dor é real, você vai passar pelo seu período de luto e em alguns casos vai precisar de ajuda psicológica. Seja gentil consigo mesma. Tenha paciêcia. Cada um tem o seu tempo.
Não adianta tentar achar culpados, não se culpe. Tudo ficará bem.

Photo by Drew Hays on Unsplash

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